quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Sem ser meu

Sem ser meu…
                           …tomei pra mim o que devia pertencer a um ser, com um largo sorriso no rosto e de coração nobre…!
Quis
te fazer um soneto,
Que fosse pequeno como tua mão
Intenso como os teus olhos
E pulcro como teu coração.

Lancei mão ao bom e velho violão
Com dois e três acordes, sem entonação,
Fiz com ternura,
A nossa canção.

Peguei
em papel e caneta,
Risquei
em letras feias e piegas,
Frases
de três palavras e de uma só oração.
E escrevi aquela carta, que não se manda por óbvia razão.

O soneto?
Ficou
sombrio
Oco,
opaco.
A carta?
Derreteu-se
com as lágrimas que caía.
A canção?
Perdeu-se com o
dia,
E sobrou-me isso
aqui
Que resolvi chamar
de poesia.
                                               (A.S.R)

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