quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Abstrair

Decidi me livrar de tudo que não me servirá para as coisas de planos que vem do passado brotar. Vou me livrar de cada peça de roupa que mesmo sem nunca usar abarrota o meu armário lunar, me livrarei de casa sonho mal sonhado, de cada palavra escrita errado, de cada cd com canções que me fazem me olhar.
Quero jogar pro o ar cada um da minha família que esperanças deixaram de me dar, mandar pro inferno todos os maus amigos que de teatro acham de florescem a vida de um, cortar cada foto, cada carta, cada livro, cada segundo e cada momento em que a terra ainda girar.
Quero quebrar  todas as janelas que de flores belas se enfeitar, cortar meu pulso com os cacos, ter hemorragias com o sangue vermelho que não coagular. Escrever no meu diário ao deitar, lembrar das vezes que minha tia me fez chorar…
Fazer dos meus sapatos de salto a única vestimenta para aquela vadia usar, borrar com o lápis preto meus olhos castanhos não dilatados, passar o batom vermelho que jamais teria coragem de usar; morrer de nojo ao me contemplar no espelho quebrado, do quarto vazio que é minha sala de estar.
Beber a água suja da torneira, comer a comida dos gatos que meu vizinho não tem esperar ser encontrada dopada e com uma overdose quase me matar.
Quase…
             Queria morrer com a maior das dores tomar o veneno do ódio, vomitar na pia o que fiz de mim…

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