quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Lembranças

Lembro claramente onde começou o meu amadurecimento, ainda era uma criança quanto tive que me comportar e pensar como uma adulta, a minha idade não lembro mesmo; sei que foi no mês de Agosto, meu pai trabalhava numa farmacia, não sei o motivo, mas nesse Agosto ele tirou férias e nunca mais voltou lá. Lembro de como as coisas ficaram lá em casa, minha mãe ia trabalhar fora e meu pai ficava em casa com a gente, todas as manhãs ele preparava nosso café: leite, pão quentinho, vitamina de alguma coisa e ovos cozidos. Sentavamos á mesa nós quatro: meu pai, Tamyres, Mylene e eu. Tudo parece feliz falando assim, mas é impossivel esquecer a tristeza que meu pai tinha nos olhos e a minha alegria por te-lo comigo assim, todos os dias. Tinha almoços onde tinhamos macarrão ao molho de ketchup, rsrsrs, muito bom!!!!Boca aberta
 
Foram tempos dificeis esses, eram brigas por qualquer coisa, já vi muitas vezes alianças voando enquanto choravamos de desespero _ casais são ridiculos, eles brigam feio pra depois fazerem as pazes como se nada tivesse acontecido. Minha mãe também nunca teve um gênio facil, uma vez ela nos fez arrumar nossa própria mala pra ela nos mandar para um orfanato, só por causa da bagunça, que ela dizia que não aguentava mais, a nossa salvação? a Titia, como sempre!!! como meu pai estava viajando teve que sobrar pra ela o nosso socorro! kkkk
 
Cresci muito rápido, nesse período tive que aprender a me defender sozinha, nunca fui "esquentada", mas também não podia aceitar tudo com calma, minha mãe já não estava tão presente ao nosso lado e, essa ausência, sinto vestigios dela ainda hoje por conta do oceano que existe entre nós. Aprendi a encarar situações deixando o choro apenas para o quarto, sempre prendi aqui dentro de mim, cada sentimento, minhas vontades, meus sonhos…
 
Lembro que depois de um tempo meu pai abriu um bar, era legal pois sempre iamos pra lá comer as coxinhas que o China o ensinou a fazer, pegavamos as balas escondido e comiamos lá mesmo, atrás do balcão. O Nelci era muito amigo do meu pai nesse tempo, eles ficavam tomando cerveja e ouvindo Amado Batista Sarcástico. Foi nesse ano que paramos de frequantar o Rotary Clube, algumas amizades se desfizeram e, outras, as mais importantes, temos até hoje.
 
Foi meu pai que me ensinou a cozinhar, me ensinou a dar amor e com minha mãe, passou para nós três a importancia de ajudar, mesmo que a situação seja de ser ajudado, nunca negar a ninguem o que temos de melhor a oferecer: amor e carinho!
 
Nesse tempo aprendi que as coisas materiais vêm e vão. A emotividade desse tempo ainda carrego comigo, cresci rápido demais e amadureci com isso, deixei o meu casulo e hoje tenho asas coloridas que com a mão dos meus pais, não vão perder a cor nunca…
"Deixa mudar e confundir…"

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