quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Por mim...

Um prédio esta sendo detonado com a tnt mais potente que já vi, a poeira se espalha no ar com uma rapidez imperceptível; os destroços, todos os amontoados lembram uma grande montanha, é difícil entender como é possível destruir e reconstruir no mesmo lugar como se nenhuma lembrança, nenhum momento tivesse feito parte do que foi destruído em segundos.
O tom laranja com lilás do céu lembra as tardes onde a lua cheia aparecia antes da noite, da janela do prédio detonado era possível ver como o mundo, mesmo com tantas injustiças e imperfeições tem gosto de lar, e um bom lar, que ao repousar a cabeça num travesseiro macio é fácil sonhar; neste quarto o cheiro de pólvora toma conta da memória, os destroços são tristes, comoventes até, não da para parar de pensar em como será de agora em diante, tinha uma visão muito singular desse prédio, me pergunto se não fui eu quem o destruiu, se não fui eu quem colocou em cada centímetro de um longo trabalho, explosivos, talvez eu só estivesse querendo voar, ou jogar tudo pro ar, não sei mais nem quem sou…
Meu ponto, minha segurança e, até mesmo minha confiança viraram fumaça, fumaça de um cigarro que não tenho coragem de fumar.
Minha face rajada por um vermelho, tenta me esconder de mim, meus óculos escuros não me deixam me enxergar!
Tenho um coração amargo como um veneno de uma cobra e qualquer contato pode ser fatal, talvez seja por isso que hoje não tenho qualquer contato com quem nele já viveu…

Nenhum comentário:

Postar um comentário